mar 11, 2010
“O Brasil não tem interesse em confronto com os Estados Unidos, mas sim que os Estados Unidos respeitem as decisões da OMC”, afirmou o presidente.
Lula pede pressa aos EUA
Para presidente, posição americana prejudica especialmente países mais pobres, não o Brasil
“Eu não sei se o companheiro Obama vai ouvir isso, mas eu gostaria de pedir a ele que coloque sua equipe para negociar rapidamente”. Foi o que disse ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante inauguração de térmica da Petrobras em Cubatão (SP), com relação à política de retaliação adotada pelo Brasil em resposta aos subsídios do governo americano a aos produtores locais de algodão.
“Há sete anos o Brasil briga na Organização Mundial do Comércio (OMC) para que os Estados Unidos cortem os subsídios. A OMC deu ganho de causa para o Brasil, mas os Estados Unidos não cortaram”, explicou o presidente. “Não temos interesse em nenhum confronto com os Estados Unidos, mas sim em que os Estados Unidos respeitem as decisões da OMC, tanto quanto o Brasil respeitaria.”
Na segunda-feira, a Câmara de Comércio Exterior divulgou uma lista com mais de cem produtos de origem americana — desde trigo até artigos de higiene — que terão o imposto de importação ampliado para até 100%, em resposta à política protecionista daquele país. “Ao dar a vitória ao Brasil, a OMC permite que criemos dificuldades para a entrada destes produtos. Não é uma retaliação. É uma forma de dizer que não importa o tamanho ou a riqueza do país. Todos são soberanos e merecem ser tratados de forma igual”, defendeu Lula.
Segundo o presidente, o principal interesse na opção pela retaliação não é do Brasil. Os maiores prejudicados seriam os países mais pobres, principalmente africanos, que contam com poucos recursos e acabam perdendo competitividade no exterior. “O Brasil tem competência e terra para competir com qualquer algodão. Quem não tem são os países pobres africanos, que ainda não possuem essa tecnologia e não conseguem exportar o seu produto para Estados Unidos e União Européia.”
Fonte: Brasil Econômico